18/10/2025 11:07A tarde de sexta-feira (17), marcou um momento especial para o município de Anta Gorda e para a região do Alto Taquari: a entrega da segunda etapa da restauração da Casa Martelli, construção centenária considerada um dos principais marcos culturais do município.
A Casa Martelli teve a estrutura restaurada, um trabalho que envolveu serviços de limpeza, lixamento e escovação das madeiras e antigas aberturas, alinhamento da estrutura e do piso, além de substituição de algumas tábuas e de parte do telhado. A obra reconstruiu o “passadiço”, - espaço que separava a cozinha, sala e quartos; e também devolveu a tonalidade original do casarão rosado de janelas vermelhas.
A primeira etapa de restauro da Casa Martelli foi concluída em 2023, e contou com o Financiamento do Pró-cultura – RS LIC e o patrocínio de Diamaju Agrícola, Agrodalla e Agraz Refrigeração. Já a segunda etapa, conta com o estímulo da Lei Federal de Incentivo à Cultura. O patrocínio é da Diamaju Agrícola. A realização é da AA Moinhos e do Ministério da Cultura – Governo Federal – Do lado do povo brasileiro.
O resultado foi apresentado pelo arquiteto Marcello Ferraz, do escritório Brasil Arquitetura, responsável pelo projeto. Ferraz apresentou ainda o Memorial do Leite, que transformará o local em um espaço de memória e aprendizado sobre a história da produção leiteira em Anta Gorda e região. A Casa Martelli ainda contará com uma terceira etapa, que contemplara o mobiliário e o paisagismo da casa, previsto para acontecer em 2026 e 2027.
Cultura viva
A Casa Martelli, construída na década de 1910 pelo casal Alexio Angelo Martelli e Elisabetta Da Ré, integra o Caminho dos Moinhos, rota turística e cultural que conecta municípios do Alto Taquari e celebra o patrimônio da imigração italiana.
Com o restauro entregue, o espaço passa a abrigar atividades culturais, visitas guiadas e ações educativas, reforçando Anta Gorda como destino de memória e identidade.
História de uma centenária
Na década de 1910, o casal Alexio Angelo Martelli e Elisabetta Da Ré deixou Faria Lemos, em Bento Gonçalves, e percorreu longos quilômetros até chegar a Linha Viena, no interior de Anta Gorda. Foi ali que ergueram, com as próprias mãos e o conhecimento trazido da terra natal, a casa que se tornaria um dos marcos da colonização italiana na região.
A Casa Martelli foi construída com materiais de alta durabilidade: madeira de canjerana, tijolos de barro e alicerces de pedra cuidadosamente talhada para abrigar o casal e seus nove filhos.
Mesmo após deixar de ser habitada, a estrutura permaneceu imponente. Suas paredes firmes e o telhado de linhas simples continuaram a despertar a atenção da comunidade, resistindo ao tempo no alto de seus 9,74 metros de altura e 334 m² de área.